A cultura do mate

Quem frequenta Pinheiros deve conhecer a PRIMO Pastifício, uma loja de massas semi-prontas que salva qualquer jantar surpresa com suas massas frescas artesanais e molhos deliciosos. O idealizador dessa ideia, Ivan Bornes, é um apreciador de chás e descobri isso por conversas e curtidas nas redes sociais. Como fazia muito tempo que eu não ia lá, não sabia que o Ivan tem comercializado erva mate de qualidade… Fiquei sabendo de toda sua ligação com o mate indo ao encontro que ele organizou no começo de julho.

Além de convidar alguns amigos gaúchos (é com eles que mateio e aprendo um pouco sobre essa cultura), levei uns utensílios feitos de cabaça e cestaria (já que o mate é uma tradição guarani), além de um apoiador para chashaku (colher de bambu usada na cerimônia do chá para medir e colocar o matcha na tigela) feito em cerâmica pela Luciane Sakurada, do Atelier Tokai. É um utensílio muito bonito que ganhei de presente quando nos encontramos no MON e Curitiba e uso muito pouco, pois ele não é um objeto que faz parte da cerimônia do chá.

Mas como esse encontro era de mate, e eu tinha um mate em pó muito bom em casa que queria apresentar no encontro, considerei os utensílios mais adequados para este contexto, tanto do ponto de vista estético, quanto cultural.

Vamos voltar ao mate…

O Ivan, que é uruguaio, me ensinou o seu método de preparar o mate na cuia de poranga (mas pode ser também em canecas ou qualquer recipiente):

– colocar 2/3 de erva no recipiente e dar uma inclinadinha na cuia para formar um montinho em diagonal

– acrescentar água quente para hidratar e deixar uns minutinhos

– encaixar a bomba depois desse processo, isso evita o entupimento da bomba

– acrescentar água quente até a borda e tomar

Se você estiver em uma roda de mate, tome tudo até o final, preencha de água e depois entregue a cuia para o próximo com a cuia virada para a pessoa tomar (essa eu aprendi com a Carline Piva, catarinense, com quem pude desenvolver o projeto “Chá com Yoga”). Esse truque do Ivan é legal, pois, se o mate estiver “perdendo o sabor”, podemos inverter a diagonal, hidratar, recolocar a bomba e continuar tomando.

Além de um livrão sobre mate, o Ivan levou outras cuias, bombas diversas, objetos de família (o Ivan é uruguaio) e me apresentou algumas ervas que eu não conhecia. Comecei tomando uma chamada “Serena”, uma mistura de erva mate com melissa, menta e tília (bem inusitada essa combinação do mate, que liga com várias outras ervas que acalmam). Eu achei super gostosa, mas depois que comecei a tomar o mate puro, não consegui mais voltar atrás.

No final da manhã, preparei com os utensílios que havia levado o mate cerimonial Kõ’gõi: trata-se da erva mate moída em pó de forma a lembrar um matcha, que pode ser preparado com um chasen (batedor de bambu) e água quente. Eu, que tenho o hábito do matcha, sempre acabo tendo ele como parâmetro, então fico um pouco incomodada com a diluição, que deixa um pouco de poeira. De cor e aroma intensos, tem um sabor rústico delicioso que agradou todos os apreciadores de mate sem exceção.

Durante o preparo, eu e o Ivan conversamos muito que, independentemente da cultura, estamos em busca de um momento de troca, conversa e amizade.

Agradeço ao Ivan, que emprestou sua calçada e a Joana, d’A Pequena Loja de Flores, que cedeu seu cantinho de vasos e flores de cerejeira para eu me acomodar e fazer o que mais gosto na vida: preparar um chá para as pessoas. E também à MateSpresso, que produz o mate cerimonial a partir de ilex paraguariensis, fundindo tradições. Sem a visita dos amigos Lucia, Rodrigo, Maria, Toscani, Alice e seus avós, o sábado não teria sido tão ensolarado.

Deixa um comentário