chá com Inés Berton

Não me lembro se fazia algum calor, mas sei que havia um pouco de frio e o resto do resto de uma gripe que não me atrapalharam em nada a degustação de chás que aconteceu no restaurante DUI (de Bel Coelho), no começo do mês, com Inés Berton. Falo do calor porque fomos recebidos com um Chamana verde gelado (infusão de menta, verbena, eucalipto e melão).

Não é a primeira vez que fui a uma degustação de inti.zen e Chamana com Inés Berton. A primeiro encontro com ela e Guillermo Casarotti foi tão simbólico que costuma dividir a minha relação com chás, mudou a minha vida (podem faltar muitas coisas na minha vida, mas não uma caixa de Chamana azul). E por mais que se trate de degustações sobre as mesmas marcas de chás, posso garantir: não se trata da mesma coisa sempre. Há tanto a se aprender com Inés Berton que cada encontro traz um novo aprendizado (não se trata de nenhuma frasezinha clichê, não).

Desta vez, me chamou atenção sua fala sobre a maneira como os sabores das frutas brasileiras (e o ponto, bem maduro, em que costumamos comê-las) influenciou alguns de seus blends (o Chamana verde é um deles, precisamente o sabor do melão suculento), o “modo de vida acústico”, que nos embala com um certo silêncio, e a transformação da hospitalidade em um pequeno ritual através dos chás.

Inés também falou sobre o hábito de se tomar chá em cuencos, sem alça:

ao segurar com as duas mãos,

tomamos o chá mais unidos

e menos partidos

Passamos por vários sabores (e Guillermo sempre cuidando atenciosamente da água na temperatura boa, incentivando as pessoas a provarem outros sabores de Chamana e inti.zen, conversando pelas mesas). Eles trouxeram uma surpresa: um de seus novos blends (ainda sem nome), que Inés brinca ser seu “Chanel número 5“, que evoca um passeio pelo jardim: rooibos com frutas vermelhas e um pouco de lavanda. Para mim é um daqueles chás com frutas vermelhas que fazem sementes brotarem bem do meio da cabeça em direção ao topo.

Fuerte fuerte.

Foi também servido o amazonia 12 (fresco, simples, simples, fresco), um dos meus preferidos da linha inti.zen, um chá com frutas tropicais (manga, natural cítrico e papaya) e hibiscos, que apresenta uma nova versão bastante frutada.

Há algo que sempre me toca em seu discurso: o poder que os chás têm de transportar as pessoas para outros cenários e estados de espírito. É claro que não se trata de qualquer chá e qualquer momento, que isso acontece o tempo todo. “Cada chá tem um pensamento por trás dele e seu perfume tem que ser muito gostoso, fazer as pessoas viajarem”, disse Inés Berton. Outro ponto que me chamou a atenção foi o olhar dela para a responsabilidade social no processo de fabricação de seus chás e da valorização da produção local: ela defende a ideia de que se deva ter o mínimo possível de mãos que intercedam desde o fabricante até a xícara. Inés Berton se preocupa com o cenário mundial, tanto que chamou a atenção para as pessoas que participavam da degustação a não deixarem de consumirem o chá japonês – pelo contrário, temos que estimular o seu consumo nesse momento em que o Japão se recupera de um acontecimento difícil.

Acho que não preciso muito explicar porque considero Inés Berton uma mestra!

Comentários

Um comentário em chá com Inés Berton

  1. MARCIA COSTA disse:

    gostaria de saber como faço para comprar os chas de Ines Berton?

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