Chamana mudou minha vida

Faz um mês (na verdade, um mês e dois ou três dias, afinal passa de meia-noite) que comecei a trilhar um caminho com mais atenção. Pode parecer clichê – e é mesmo, admito, mas não me importo – dizer que essa nova visão do chá veio de um encontro inesperado, quase mágico, trazendo literalmente novos sabores à minha vida.

Quinta-feira, três da tarde: consigo uma vaga na disputadíssima palestra que Carla Saueressig, a proprietária d’A Loja do Chá, deu na Casa Santa Luzia. Antes de prosseguir, faço um pequeno adendo: são os dois melhores endereços para se comprar chá de qualidade em São Paulo. Assisti à ótima palestra da Carla, encontrei com uma amiga querida por acaso, saí para tomar uma soda italiana com ela e papear e voltei ao local para degustar e comprar alguns chás. Com a caixa de inti.zen (uma marca argentina de chás gourmets que primeiro conheci por um grande amigo e que pude degustar no choco.lab, em Higienópolis) na mão, fui surpreendida por uma conversa de prateleira. Papo vai, papo vem, soube que meu interlocutor, Guillermo, estava acompanhado Inés Berton, uma das grandes conhecedoras de chá no mundo. Quase caí para trás…

ILUMINÉ (vermelho) foi o primeiro inti.zen que conheci por Andrés Nigoul, grande amigo argentino (que também me introduziu ao Earl Grey e ao gosto pelo chá preto com leite). Andy me ofereceu como uma lembrancinha esta maravilhosa releitura do English Breakfast feita com chá preto do Ceylon, com toques de assam e oolong. Seu gosto é suave e, ao mesmo tempo, encorpado. Bom para tomar pela manhã.

PATAGONIA BEE (amarelo) foi minha descoberta: mel da Patagônia, toques de baunilha e cacau misturados com chá preto indiano. Na caixa, a sugestiva inscrição “para suavizar as palavras”. Doce e macio, cai como uma poesia que diz aquilo que sua alma pede. Antes que me perguntem, gosto de tomá-lo sem acompanhamento. Do mesmo jeito que evito ver uma exposição ou ler algo depois de ver um filme que me toca bastante. Quero guardar todos seus resquícios de sabor na minha memória, sem misturas (ou harmonizações para quem preferir assim).

GRANDE PARÊNTESE: até então, tudo o que eu sabia sobre Inés Berton era que ela tinha criado um blend para o Dalai Lama e que era uma das maiores especialistas de chá do mundo (e que eu amava os chás inti.zen). Mas a história vai além da lista de seus clientes – celebridades (e eu acho uma loucura chamar o Dalai Lama de celebridade, mas deixa pra lá), grifes e hotéis de luxo que encomendam suas criações. Inés Berton tem olfato absoluto e hoje é uma das onze tea noses do mundo, sendo que sua especialidade é o chá verde. Estas são as informações encabeçam qualquer matéria jornalística sobre ela.  Fala-se muito também da Tealosophy, sua loja na Recoleta, Buenos Aires, com filial em Barcelona, que vende uma variedade de chás  de alta qualidade e blends criados por Inés e que, para ela, o chá é uma filosofia de vida... (a expressão em espanhol “buscadora de té” explica tudo). O que os jornalistas não contam: Inés Berton possui uma sensibilidade impressionante, um sorriso acolhedor e uma delicadeza na escolha das palavras ao falar sobre chá. Inés e seus blends são inspiradores. É preciso silenciar um pouco a alma para ouvi-la.

Mais alguns minutinhos de conversa – queria saber se ela daria alguma palestra em sua passagem pelo Brasil – e fui convidada para uma degustação de chás no restaurante DOM, de seu amigo Alex Atala.

Sexta-feira, três da tarde: corri para encerrar o expediente de trabalho na hora do almoço e partir para o DOM sem nenhuma pendência nas costas. Pude conhecer melhor Guillermo Casarotti, o empresário de alma sensível por trás das marcas inti.zen e chamana – e foi esta linha de infusões, exclusividade da carta de chás do DOM, que mudou a minha vida. Chá, infusão, erva, feita ou não de camellia sinensis, pouco importa. Guillermo havia me recomendado no dia anterior um blend da inti.zen (DON JUAN) que continha doce de leite e eu, literalmente, torci o nariz. Chá de doce de leite? Não consigo processar… Tudo mudou quando o garçom despejou água quente em cima do saquinho semi-aberto de chamana azul (rooibos – um arbusto sul-africano, avelã, maçã e doce de leite), do aroma ao sabor, foi um festival de “ai ais” internos (afinal, eu estava em uma degustação com pessoas desconhecidas em um dos restaurantes mais chiques de São Paulo, sentada na mesma mesa de uma das grandes conhecedoras de chás do mundo e não queria pagar mico). Até então, nunca tinha experimentado a sensação de um abraço confortante pelo paladar. Escutei até a voz da Titi, mãe do Andy, falando “rico, muuuuy rico”.

Degustei outros sabores das duas linhas que, aos poucos, vou descrever neste blog conforme eu for redescobrindo cada um deles. Vou deixar vocês com a descrição do chamana azul “chill-out, reconfortante” como último sabor do post.

Só mais duas coisas antes de encerrar este loooongo relato…

* até escrever sobre tudo esta experiência, eu não me sentia de corpo e alma neste blog. Parecia que eu guardava um segredo precioso e o meu objetivo aqui é compartilhar.

* deixo registrados meus sinceros e mais profundos agradecimentos a Guillermo e Inés que, de forma muito carinhosa e acolhedora, incentivaram esta mais nova busca.

E viva os encontros!

A Loja do Chá: av. Brigadeiro Faria Lima, 2.232, 3° piso (Shopping Iguatemi), tel. (11) 3816-5359 (abre de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 14h às 20h)

Casa Santa Luzia: al. Lorena, 1.471, tel. (11) 3897-5000 (abre de segunda a sábado, das 8 hs às 20h45)

choco.lab: rua Pará, 18, tel. (11) 3259-1941 (abre de segunda a quinta, das 12h às 20h, e às sextas, domingos e feriados, das 14h às 20h)

DOM: rua Barão de Capanema, 549, tel. (11) 3088-0761

Comentários

3 comentários em Chamana mudou minha vida

  1. Andrés disse:

    quiero ese té de dulce de lecheeeeeee!!! rsrsrs
    bjsss

  2. KIKKS disse:

    vc pode achar o inti.zen marrom no Santa Luzia, mas o Chamana ainda não chegou… por enquanto, o Chamana azul deve figurar a carta de chás do DOM!

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  1. […] é a primeira vez que fui a uma degustação de inti.zen e Chamana com Inés Berton. A primeiro encontro com ela e Guillermo Casarotti foi tão simbólico que costuma dividir a minha rela…(podem faltar muitas coisas na minha vida, mas não uma caixa de Chamana azul). E por mais que se […]



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