chá pra gente se sentir em casa… no mundo todo!

Passei dias viajando, mais precisamente 38 dias. Embarquei antes da Copa e voltei depois. Fiquei feliz de ir. E de voltar também, o que costuma ser mais raro, principalmente quando chego em São Paulo e caio no inverno. Sempre deixo em Paris um pedaço de mim, de amigos e caminhos percorridos…

Dessa vez foi um pouco diferente. Tenho alguns palpites do que pode ter contribuído para isso:

– não fui de férias, fui a trabalho. Ou seja, não tive aquela sensação de viagem de sonhos que acaba de uma hora para outra e você é imediatamente transportado para a “vida real” com uma rotina chata. Fui a trabalho, mas para fazer trabalhos bem legais! Nas três cidades por onde passei, Paris, Londres e Reykjavik, vivi o chá intensamente (compartilharei o que aprendi nesses dias aos poucos no blog). Além disso, passei uns 20 dias em processo criativo intenso com o Plinio Ribeiro Jr. (amigo de longa data) e finalizamos essa etapa com uma performance um dia antes de eu voltar, com a presença de alguns de meus melhores amigos;

– voltei para minha rotina em São Paulo e me dei conta que a “vida real” era lá e também aqui, mas sem rotina chata: ensaios no Bom Retiro, yoga, elaboração de eventos e cursos de chás, organizar materiais de coisas aprendidas, livros, chás, poder tirar um dia para desfazer as malas (e não cair direto no trânsito ou metrô lotado ou prédios corporativos claustrofóbicos);

– vivi algumas experiências que me preencheram simplesmente pelo fato de compartilhar momentos preciosos com pessoas queridas – desde alguns de meus melhores amigos, pessoas que já foram muito importantes em algumas fases da vida, até artistas e tea masters que nunca tinha encontrado antes, mas que pareciam ser amigos de longa data. Voltei me sentindo muito viva, querendo compartilhar e criar mais, aqui ou em outros lugares;

ter a minha casa comigo onde quer que eu estivesse… e aqui entra o CHÁ.

E não se trata de uma questão de mala… Ok, tive que levar muita bagagem para enfrentar climas e situações diversas, além de objetos para a cerimônia do chá – levei a minha casa praticamente e isso gerou uma crise que ainda persiste, mas é outro tópico que não tem tanto a ver com este post. Acho que tem a ver com um certo conforto interno (passamos pela  crise de novo, pois o conforto não tem a ver com objetos e roupas que levei a mais), mas com um sentimento, alguns detalhes que podem causar familiaridade, coisas que nem sempre você precisa levar de casa, mas pode descobrir nos lugares.

Em qualquer lugar do mundo vai sempre existir um canto onde o nosso corpo cabe exatamente, onde a luz bate do “jeito certo”, um lugar em que a gente se sente em casa mesmo estando bem longe de casa. Acho que por isso que uma das expressões que mais gosto (e que primeiro aprendi a falar) em francês é chez moi. Ela é usada para dizer “minha casa”, mas não usa o pronome “meu”, usa o “Eu” e isso sempre me faz pensar que a casa a gente carrega dentro da gente. E existem duas coisas que me ajudam nesse processo: um caderno e uma xícara de chá.

Por isso escolhi essa foto para abrir o post. Ela foi tirada no trajeto Paris-Londres, pouco antes de o trem entrar no Canal da Mancha. Eu estava cansada, tinha dormido pouco e almoçado um sanduíche (gostoso) que comprei antes de embarcar. O trem ficou no meio do caminho parado cerca de uma hora e, mesmo lendo, comecei a ficar entediada. Antes de todos os pensamentos loucos entrarem na minha cabeça dizendo que o atraso poderia ser um “prenúncio de uma péssima viagem”, levantei, fui para o vagão-restaurante e comprei um chá. Era um delicioso Earl Grey de uma marca que até então eu desconhecia (Duchy Original from Waitrose, uma marca inglesa  de orgânicos). Misturei um pouco de leite e tomei uns goles olhando pela janela.

Sempre me senti em casa aeroportos, aviões, trens e ônibus. Metrô também, mas não sempre. Para mim, estar em trânsito é tão fundamental quanto ter meu canto…

Nesta viagem, descobri outros chez moi:

yumchaa, a casa de chá mais cosy de Londres

(dica da amiga Andrea Capella)

gostei tanto de ficar lá que esqueci meu caderno

(recuperado pelo querido Daniel Hanai)


jardim secreto na rua Týsgata, em Reykjavik

descoberto ao acaso, quando ia a um restaurante

trilhos de trem abandonados no 19ème

(bairro onde morei em Paris)

 


chez Avril (vizinha inglesa) no 19ème

chez moi por 20 dias:

mesa baixa, janela, kit de chás e cadernos

Comentários

4 comentários em chá pra gente se sentir em casa… no mundo todo!

  1. Yuri Hayashi disse:

    Linda experiência, Erika!
    Beijos mil!!!
    Yuri

  2. Alessandra disse:

    Olá Erika,
    Adoro chás e quero me especializar no assunto.
    Que tal tomarmos um chá e trocar experiências ?

  3. Celia Yumiko disse:

    Gosto de ler sobre suas viagens a Paris!Sobre sua paixão pelo universo do chá!
    Como morei em Paris há 16 anos e tb por ser apaixonada por chás,é como se voltasse no tempo.Que saudades!

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