momento chá(s) chinês(es)

Faz mais ou menos um mês que ando viciada em um chá verde de nome complicado: Liu An Gua Pian, importado pela Chá Yê, uma empresa que surgiu há pouco tempo no mercado brasileiro com uma proposta interessantíssima, a de trazer chás chineses de qualidade para cá. Eles vão pessoalmente até o produtor, experimentam, escolhem e importam. Ou seja, curadoria de primeira!

Não escrevi imediatamente sobre essa descoberta (faz um ano que estou enrolando para marcar um papo com eles) porque, além da clássica falta de tempo, o afeto predomina aqui na conversa deste blog. Sem história e sem sentido a coisa não vai.

Comecei com uma “dupla” sugerida pelo João Campos, um dos sócios da Chá Yê, o verde Liu An Gua Pian, e o oolong Shui Xian Light Roast (deve se chamar ‘light’ porque a torra é leve – e agradeço pelo nome: confesso que me sinto um pouco intimidade com esse tipo de chá, pois não consigo tomar tanto –  me sinto preenchida logo na primeira xícara).

E logo na primeira manhã que fiz o chá verde, ele já puxou da minha memória uma das minhas experiências mais marcantes com chá chinês: horas com um dos meus melhores amigos em uma lojinha no Marais no finalzinho das minhas férias. Detalhe: não lembro o nome nem o endereço da loja. Restou um pouco de sabor e poucas imagens dessa tarde!

A surpresa já vem quando você abre o pacotinho: lindas e longas folhas bem verdes (quase dá vontade de comer) que se abrem completamente durante a infusão.

Preparei o chá em no Travel Mug, utensílio comercializado pela mesma empresa, transparente e prático (que virou meu melhor amigo, tem ido de casa para o trabalho e do trabalho para casa quase que diariamente – o nome, portanto, não poderia ser mais apropriado). Na borda dele, há  uma espécie de peneira encaixada para filtrar a bebida (você pode conhecer mais sobre como funciona neste vídeo). No começo achei meio chatinho de lavar e até escrevi para o pessoal da Chá Yê comentando isso. O truque é encher o mug de água e “peneirar” as folhas que caem na própria mão – para este tipo de chá dá certo porque as folhas de chá não são fragmentadas e não escorrem pelos dedos. A vida fica bem fácil, acreditem!

Este chá de cheiro fresco e sabor suave, meio de alcachofra, vem me despertando para uma sensação boa com muita frequência. Tem dias que tomo no começo e no fim da manhã (dá para fazer o chá mais de uma vez com a mesma medida) e, às vezes, depois do almoço. Fiquei tão impressionada que fui fazer uma visitinha ao escritório da Chá Yê, uma primeira incursão a este mundo infinito de chás verdes.

Chegando lá, me deparei com uma pilha de pu erh, embrulhados em papéis transparentes (parecidos com o washii japonês). Fiquei em dúvida se os chás eram mais lindos embrulhados ou desembrulhados. As folhas, prensadas, formam um desenho de caracol desalinhado e exalam um suave perfume envelhecido.

A conversa com o João Campos durou horas e algumas rodadas de chás. Aprendi várias coisas novas e fiquei encantada com os utensílios e um ritual que não é considerado ritual no preparo e degustação. A bebida é preparada sobre uma bandeja vazada, a água cai, limpa, purifica, extrai o sabor de folhas manipuladas por produtores premiados na China.

Saí de lá cafeinada, depois de muitos sabores e conhecimento. Feliz de começar um aprendizado novo e de perceber que, no fim, não importa a cultura, o chá é sempre pretexto para uma boa conversa.

Ou será o contrário?

Comentários

4 comentários em momento chá(s) chinês(es)

  1. Hanny disse:

    Lindo post, Erika! O João é uma pessoa muito querida e fico muito feliz que o negócio deles esteja decolando. Para nós que consumimos e estamos sempre na busca por bons chás, é ótimo ter a Chá Yê por perto. Adoro o método gong-fu de preparar o chá. Tenho uma mesinha dessas, mas a minha é pequena. Vamos marcar de vc aparecer aqui em casa e a gente experimenta alguns verdes preparados por esse método juntas 🙂
    Bjão

  2. Nathalia disse:

    Olá…Adorei! Estive na China ano passado e, de fato, a experiência do chá foi um verdadeiro êxtase. Fui a muitas casas e provei diversas qualidades de chás. Troxe algumas variedades, assim como tb os utensílios todos (mesa de bambu, ferramentas, jogo de chá etc). Conheci uma plantação de chá verde e o local onde acontece o processo de fermentação. Explicaram-nos que cada ‘geração das folhas’ nos oferece uma qualidade distinta e hierarquicamente superior de chá, sendo que as folhas que se costuma vender nos sachês vêm a ser a parte da planta que eles desprezam. Ficamos encantadas com a tecnologia e a sabedoria ancestral desses mestres e pretendemos voltar em breve a este país incrível…uma viagem por aromas e sutilezas altamente recomendável! Grata pelo post e pela dica da empresa importadora. Abraço!!!

    • admin disse:

      Nathalia, imagino o quanto deve ter sido bacana esta sua experiência!
      Fico feliz que o blog tenha trazido uma dica que faz sentido na sua vida.
      Acho que você vai gostar de experimentar os chás que eles trazem…

      beijos,
      Erika

  3. fcris disse:

    E sobre a quantidade de chá? porque nas embalagens geralmente vem a quantidade/temperatura/tempo para 1 xícara. No mug precisamos colocar mais??

    🙂 obrigada

Deixa um comentário