o chá verde do Ritz

Fazia tempo que eu não entrava no Ritz. Depois que voltei a morar em São Paulo, não tinha colocado ainda os pés por lá. Por isso, quando cheguei, um tempo antes do almoço e me acomodei em uma das mesas apertadinhas, senti uma leve nostalgia. Não costumo gostar muito de ambientes meio construídos, mas me familiarizei logo que sentei – talvez porque o restaurante AINDA estivesse vazio, pela luz que entrava na porta, pelo livro que eu lia enquanto esperava meu amigo e pelo pedido que fiz para me acompanhar.

Trata-se da versão de saquinho daquele chá que encontramos em pacote facilmente em empórios japoneses, o UJInoTSUYU. Gostei das indicações que vêm no pacotinho sobre temperatura da água e tempo de infusão – isso é algo que pega quando tomamos o chá em um restaurante, por exemplo: como saber há quanto tempo ele colocou o saquinho na água? Sem neuras, o que eu faço é sempre abrir o bule no caso (ou olhar para dentro da xícara) e ver a COR do chá para ter uma ideia de se ele foi ou não recém-colocado. Se ele tiver uma cara de chá mais “prontinho”, conto até 10. Senão, conto até 20. Mais ou menos. Nada tão preciso assim.

(outra dica para quem acaba tomando chá fora e ele é servido em bule: tire o infusor depois de um tempo, que varia de acordo com o tempo de infusão e do tipo de chá. principalmente se for chá verde ou preto, você corre o sério risco de tomar uma segunda xícara de chá amargo e ruim)

Fiquei feliz porque é raro a gente sentar em um restaurante e conhecer um chá “novo” (no caso deste, eu não conhecia a versão de saquinho), e bom, familiar, gostoso, como todo bom chá verde japonês (já repararam que chá verde japonês tem um gosto característico, que é diferente dos outros chás verdes?). Fiquei tão imersa neste universo do bule e da xícara, da minha leitura e do gosto do chá que simplesmente ignorei que o restaurante lotou a ponto de fila de espera (e eu lá, lady, tomando chá e lendo), que as pessoas estavam falando, meio alucinadas no champanhe e nos drinks (com todo o respeito, o Ritz tem um ladinho emergente), que eu esperava. E  eu queria esperar a vida toda olhando por aquela janela que abre para dentro.

Só não fiquei tão triste quando o Rodrigo Silveira chegou porque fazia tantos, mas tantos anos que a gente não se via, que o business era tão divertido e nem tão business assim, que a conversa volta tão natural (e me fez lembrar de  uma viagem SP-Rio de ônibus em que gargalhamos a madrugada inteira), que permiti, sim, que este diálogo abrisse uma outra janela.

E que o ar fresco entre, sempre.

RITZ: alameda Franca, 1088, Jardins, tel. (11) 3088-6808.

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