bate papo com Mr. Twinings

Vi o dia amanhecendo devagar do quarto do hotel. O meu primeiro impulso ao escutar o barulho do mar foi o de calçar os tênis para caminhar na praia. A caminhada virou corrida e depois mergulho no mar. Estava quase terminando meu café da manhã quando Stephen Twining pediu licença para sentar na minha mesa. Ficamos um tempo naquela conversa de elevador, eu não sabia bem o que falar com ele. Estávamos no Guarujá por uns dias para um evento de lançamento de novos blends da Twinings no mercado brasileiro.

Já tínhamos fumado um cigarro juntos na noite anterior depois do jantar e eu perguntei se fumar poderia afetar o paladar de um degustador. Como bom fumante, ele disse que não, que o importante é você manter seus hábitos de alimentação e fazer uma espécie de média. Explicou por exemplo que os ingleses tem a alimentação habitual durante a semana e podem cometer exageros nos finais de semana, já os indianos comem curry quase todos os dias e dão uma maneirada nos finais de semana. Ou seja, o segredo é ser equilibrado em seus hábitos normais.

Bom, mas voltando ao café da manhã, o que mais me instigou foi olhar para as duas xícaras de chá preto que ele largou em cima da mesa enquanto foi pegar um omelete. Fiquei elocubrando o porquê das duas xícaras e por que ele deixava o saquinho tanto tempo assim, mas resolvi não perguntar. Quase tirei os saquinhos da xícara enquanto ele não voltava, pois o chá estava ficando forte. Mas gosto não se discute. E ainda pensei: e se for algum experimento, algum ritual que ele faz todas as manhãs? Melhor não mexer em nada. Notei que, além do leite, ele dá uma enforcada no saquinho com a colher, para aproveitar tudo que pode do chá. Depois, quando mudamos para a mesa do lado de fora, ele ainda tomou uma terceira xícara de English Breakfast.

Na verdade, era algo bem mais simples: tratava-se apenas do strong black tea que Stephen Twining toma praticamente todas as manhãs. No caso de hoje, os três primeiros de uma série de dez xícaras ou mais (podem chegar até quinze).

Stephen é um cara de 49 anos que descobriu que queria trabalhar com chás aos oito anos de idade, quando, fazendo um trabalho de escola sobre a Índia, achou que seria uma boa ideia promover uma degustação de chás para seus coleguinhas de classe. O fato foi revelador para o pequeno Stephen. Nessa ocasião, ele não só se deu conta da família a qual pertencia, mas que entendia do assunto um pouco mais que seus amigos. De crescer vendo os pais servindo chás para as visitas, falando sobre o assunto, ele foi absorvendo tudo isso naturalmente. Mas o mais importante nessa história foi ele ver a reação dos amigos descobrindo toda a diversidade de origens e sabores que existe em torno do chá. Assim, ele decidiu sua vocação, de ser embaixador da marca tradicional de chás ingleses de sua família e promover degustações por todo o mundo. E é o vem fazendo até hoje de forma natural e apaixonada, como contou em nossa conversa a beira mar.

Você se lembra da primeira vez que tomou chá na vida? Não consigo me lembrar da minha primeira xícara de chá, pois sempre foi algo natural na minha vida. Lembro-me da primeira vez que comecei a olhar para o chá de uma forma diferente. Eu tinha oito anos de idade e tinha que fazer um trabalho para a aula de Geografia cujo tema era Índia. Meu pai tinha todas as informações sobre chás e escolhi 8 diferentes tipos e levar para meus colegas de classe degustarem. Eles não conheciam chá, apenas viam seus pais tomando chá, strong black tea. Vi que tinha mais conhecimento que eles. Foi quando me dei conta da que família a que pertencia e que eu gostaria de trabalhar com chá. Fiquei excitado levando informações sobre chá para as pessoas e ainda tenho esta sensação hoje quando vejo que elas estão descobrindo algo novo. O chá é algo presente na vida, mas com o qual as pessoas não interagem. Não é algo que vai mudar o mundo em que elas vivem, mas que vai trazer mais prazer para seu dia a dia, torná-lo melhor, proporcionar bem-estar, prazer. E de uma forma simples e fácil.

Então você associa chá com prazer? Isso mesmo. Meu chá preferido é o chá que tomo relaxado, conversando com os amigos e familiares. O chá está relacionado à sociabilidade. Todo mundo passa muito tempo enviando e-mails, SMS, no Facebook, mas estamos perdendo em contato humano, conversas. E precisamos disso. O ser humano é um ser social. E o chá facilita conversas. De alguma forma, ele diz, vamos sentar, relaxar, passar um tempo juntos. Tem pessoas que gostam de fazer uma pausa de dez ou quinze minutos ao longo do dia e tomar um chá sozinho. Eu prefiro os momentos em que tomo chá socializando com outras pessoas. Quando você faz isso, seu corpo aprende que é bom. Bom para o corpo e para a alma.

Como foi que você se tornou embaixador da marca? A regra na nossa família é trabalhar com chás se você é alguém apaixonado pelo assunto. Tenho filhos e sobrinhos e ficarei contente se um dia eles escolherem uma carreira em que eles amem trabalhar. Eu tive muita sorte.

Nesses anos todos trabalhando com chás, o que mais impressiona você nesse universo? É que sempre tem um chá que vai agradar qualquer pessoa no mundo.

Concordo! Costumo dizer que o chá é uma bebida democrática. É impossível não ter um chá que não agrade alguém. E qual foi a situação mais marcante que você já viveu em sua carreira? Uma vez eu estive na casa de uma família que usou todo o leite que tinham para tomar naquele dia e ferveram com chá preto para me oferecer. Foi uma atitude de hospitalidade. Eu não me senti muito bem sabendo que estava tomando todo o leite que eles possuíam, mas, por outro lado, também fiquei bem honrado.

E você tem algum chá preferido? Depende do meu humor, mas, em geral, eu gosto de começar o dia com chás mais fortes, chá preto, English Breakfast, Earl Grey e outros. À tarde, eu gosto de tomar um chá verde, mas em uma tarde chuvosa, prefiro um chá preto depois do almoço, para dar um ânimo. Também tomo infusões: hortelã, camomila, limão com gengibre… Mas tudo isso varia de acordo com a forma como me sinto. Tenho a sorte de poder escolher que chá tomar!

Para finalizar, uma foto meio tiete e outra meio institucional…

Thank you, Stephen!

Comentários

4 comentários em bate papo com Mr. Twinings

  1. José Marcos Teixeira disse:

    Parabéns pelo bate papo com o Sr Stephen. Em minha análise, encararia tal situação como uma entrevista bem elaborada, mas o Chá nos permite ter a liberdade de encarar o fato como um bate papo, como o Stephen diz, prefere o momento do chá para se socializar com outras pessoas, e até pela forma democrata que você encara a bebida.Esse final de semana, fiz algo inusitado em minha casa, fiz uma cerimônia do chá, como almoçamos em famíla, convidei minha mãe, irmã e algumas primas que estavam presentes para toma chá, e expliquei a elas o pouco que sei sobre essa cultura. Erika, aos pouco estou tentando entender e entrando na cultura do hábito de tomar chá, e essa forma de pensar e agir devo a Você e a Twinings que me deu a honra de fazer parte desse time campeão.
    Abs Teixeira.

    • admin disse:

      Teixeira, que alegria ler seu comentário. Fico muito contente em saber que nossas conversas estão sendo passadas para a família. Continue me contando sobre suas experiências, é muito legal acompanhar! Agradeço toda a hospitalidade do interior paulista!

  2. MARIA INES disse:

    Gostaria de revender os chás Twinings em minha empresa. Onde posso adquiri-los par revenda.
    Aguardo retorno,
    Atte,
    Maria Ines

  3. MARIA INES disse:

    Gostaria de revender os chás Twinings em minha empresa. Onde posso adquiri-los para revenda.
    Aguardo retorno,
    Atte,
    Maria Ines

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