Pausa com chá

FERMATA significa “suspensão”. Na música, é aquele momento em que o intérprete faz uma pausa, entre um compasso e outro. A partitura não diz quanto tempo essa pausa dura. Existem convenções, mas se trata muito mais de uma questão de feeling de quem toca…

Há uns meses, coincidentemente logo depois de uma cerimônia do chá no Parque Buenos Aires (uma pausa longa no meio da tarde com a Verana, o Titae, chá e shamisen), eu estive em um encontro do Fermata, promovido por uns amigos que abriram esse convite para a gente criar e sustentar pausas no nosso cotidiano. Uma noite, pessoas desconhecidas, um tempo no tempo do tempo, trocas significativas. Até hoje cuido com muito carinho de um cactus que ganhei da Ju, que estava lá naquela noite.

Se você tiver interesse em saber mais sobre o Fermata, clique aqui.

Cada encontro é diferente do outro. E isso tem a ver a com a cerimônia do chá. E com pausa. E silêncio.

Quando eu penso em tudo isso, sempre lembro de uma frase que o José Miguel Wisnik falou em uma palestra em um ciclo promovido pelo Sesc chamado “silêncio e a prosa do mundo”: É preciso fazer silêncio para ouvir os barulhos do mundo. É uma frase que chega toda vez que estou em meio a muito barulho ou muito silêncio. Penso nas camadas de silêncio e barulho se entrecruzando, e me lembro de outra história, acho que esta vem do Lévi-Strauss, do livro A outra face da lua, que conta que os japoneses não consideram o canto das cigarras um barulho, mas um som. Um som que me leva a um haikai do Bashô…

 

silêncio:

cigarras escutam

o canto das rochas


Daqui não tenho mais nada a dizer. Apenas convidar você para tomar um chá com a gente.

 

* infos pratiques:

O encontro acontecerá no dia 19 de julho, às 19h, na Casa Maitrî (Av. Diógenes Ribeiro de Lima, 649, Alto de Pinheiros) e é gratuito – aceitamos contribuições voluntárias para o local, entre R$20 e R$50, que podem ser feitas no dia. Pedimos que faça sua inscrição pelo sympla.

 

 

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