chá de asas

Sentar para escrever este post é juntar passado, presente e futuro.

Eu me vejo em 2010, “sem saber muito bem o que fazer da vida”, insatisfeita profissionalmente, com o casamento tentando sobreviver a crises. E daí, um dia, eu conheço Inés Berton por acaso na Casa Santa Luzia, ela me convida para participar de uma degustação de chá no DOM e, sem eu saber direito como, minha vida começa a se movimentar de outra forma. Começo a escrever o blog, pratico yoga, me separo, encontro um trabalho super legal. Saio da zona de conforto, vou me deparando com um monte de gente e, um outro dia, no open house de uma amiga legal, Maíra Rahme, rola uma conversa com um de seus amigos. Falamos sobre o meu blog, eu falo de ter levado os meus encontros para o blog e da minha vontade de levar mais o blog para minha vida.

André Gravatá, essa conversa foi tão prosaica quanto fundamental.

Durante meses, fiquei distante do blog. Naturalmente. Também aconteceram outras coisas no meio do caminho: viagens, paixão, encontros, conflitos, reflexões, questionamentos, mudança na alimentação e nos cosméticos, uma outra consciência sobre o corpo, muito trabalho, a redescoberta das ruas e das letras. Alguns medos que rondaram a minha vida foram batendo na minha porta meio que dizendo “ei!”. Voltei para meus diários, o papel, a caneta de pena, me joguei na piscina, nas ruas e no carro. Me deixei levar e pedi demissão.

Na semana em que pedi demissão, ganhei este quadrinho que abre o post de presente da Ana Flavia, uma amiga muito querida com quem convivi nos últimos três anos. Conversa de fim de expediente, olhos cheios de lágrimas, risadas (de chorar também), vida, neuras, compartilhei tanto com ela quanto com as outras amigas do trabalho. Quando ela foi para a Índia, me trouxe um chá branco delicioso. Quando ela foi para França, comprou muitas coisas em Paris para pendurar na parede de casa e me mostrou esta imagem, que foi emoldurada. Ela ensaiou pendurá-la na parede da casa dela muitas vezes durante sua licença maternidade. O quadrinho foi parar em uma sacola de presente, com dois lindos cartões. E assim chegou nas minhas mãos.

CHÁ DE ASAS.

Aqui estou eu, então, no presente, depois de ter levado o blog para a vida, trazendo a vida de volta para o blog. De todas as mudanças que aconteceram (em um ritmo sutil, em “pegadas de pombo”, para usar uma expressão que ouvi recentemente na palestra do Fuganti), o chá tem sido algo constante. Isso me conforta.

Foi muito bom também, no dia do “anúncio oficial” para a equipe da minha saída da Childhood Brasil, ter ganhado de presente da um bule japonês de cerâmica.

Embrulhado em papel de seda azul, lembrou um dos meus clichês preferidos, que ouvi pela primeira vez no Cinesesc assistindo a um filme do Peter Greenaway:

 

Tudo que é tingido de azul se torna esplêndido

Sei Shonagon, Livro de Cabeceira

 

Pensando um pouco no futuro, escuto muita gente me perguntando quais são meus planos. Isso me põe a fazer um pequeno exercício que gosto muito, que é puxar umas “tags” que fazem sentido para mim agora:

 

CHÁ * PALAVRAS * ESSÊNCIA * CIDADE * ENCONTROS * CORPO * SENSORIALIDADE * PRESENÇA

 

permeando a vida e o blog.

 

Comentários

3 comentários em chá de asas

  1. Yuri Hayashi disse:

    Muito bom ter vc de volta online, amiga!
    Bons ventos para seu futuro!
    Um beijo grande nosso!!!
    Yuri

  2. claire d disse:

    c’est beau à lire et si la distance le permettait, ce serait encore plus beau à voir ! “caminando se hace el camiño”, continue ta marche. pensées felizes e saudosas!

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