Chá na veia

1 de janeiro de 2017, acordei e, deitada na rede na casa do Felipe e da Gabs em Fonte Limpa (MG), percebi que as veias do meu pulso direito faziam um desenho básico e específico: duas folhas e um broto de camellia sinensis. Logo peguei uma caneta e toscamente tracei o desenho das veias. Assim que cheguei em São Paulo, comecei a procurar referências de tatuagens com traços que me agradavam, e tatuadores que pudessem executá-las.

Cheguei na Julia sem indicação nenhuma e combinei de ir ao seu estúdio: sentamos e conversamos, na verdade, eu falava enquanto ela ouvia, traçava alguns desenhos, via meu pulso, proporções, atenta, silenciosa.

Confiei, enviei algumas fotos de camellia sinensis pra ela por whatsapp, respostas discretas.

Quando voltei, ela me apresentou um desenho lindo, no qual fizemos um pequeno ajuste. Tenho outras três tatuagens no corpo, todas bastante pessoais e significativas que foram elaboradas por mim, desenhadas por amigos, ou com a minha letra, mas nenhuma delas nasceu de um encontro como este com a Julia.

Ela sentou e tatuou com profundo respeito e atenção plena.

Não há muito como descrever coisas que se sente.

Agradeci por ter sido uma pessoa tão dedicada, sensível e comprometida a materializar algo simbólico e ao mesmo tempo real: “carregar o chá na veia”.

Poderia ser meditação zen ou cerimônia do chá, mas era a Julia tatuando.

Comentários

Um comentário em Chá na veia

  1. Bia disse:

    Ficou linda! Todos os dias me impressiono com o trabalho da Julia D’Alkmin, sensibilidade e talento puros!

Deixa um comentário