ikebanas by Tamako Yoshimoto

Tenho um grupo de amigas muito especiais que vou apresentar para vocês aos poucos (a Iweth, que já apareceu aqui, é uma delas). Nos encontramos geralmente em eventos, palestras, cursos, bazares… O que há de comum em todas estas ocasiões é que a apreciação do belo. Sem falar na troca de energia durante os encontros (algumas vezes, casuais, como este na Fundação Japão) é sempre a mesma, não importa quanto tempo tenha passado desde a última vez: risos (sempre) e abraços (imensos). Tamako Yoshimoto é uma delas. Antes de conhecer a Tamako, conheci seus ikebanas e fiquei hipnotizada pela sua criatividade. Tanto que, quando Flavia e eu organizamos (com Laís Fleury) nosso primeiro evento para divulgar artistas contemporâneos brasileiros (a experiência do coletivo moyashis, que culminou no Centenário da Imigração Japonesa), ela foi uma das artistas convidadas.

Tudo isso aconteceu em 2006. Seu trabalho foi tão inspirador, que desenvolvemos uma série de stickers produzidos por 17 artistas com o tema do ikebana da Tamako. O resultado da loucura criativa pode ser visto aqui, onde estão registrados a invasão que fizemos em muros da Vila Madalena.

Quando surgiu a oportunidade de apresentar uma performance em 2008, no ano do Centenário da Imigração Japonesa, convidei a Tamako para fazer o ikebana da minha plataforma para a cerimônia do chá contemporânea. Não acreditei quando ela chegou com blocos de concreto e tubos de vidro, captando o espírito da performance em poucos e-mails com imagens dos objetos que eu iria utilizar. Quase perdi o fôlego. O estilo de ikebana que ela pratica é conhecido como Sogetsu e evoca a criatividade e expressão do artista, que pode usar materiais diversos.

Na semana passada, recebi uma foto (a primeira que aparece no post) de um trabalho que ela realizou no ateliê da ceramista Hideko Honma no 10° mercado “a mão cheia”. Instantaneamente, me lembrei de uma passagem escrita por Kakuzo Okakura em O Livro do Chá:

“No século XVI, as campânulas ainda eram flores raras entre nós. Rikyu tinha um jardim inteiro repleto delas e as cultivava com assíduo cuidado. A fama de suas flores chegou aos ouvidos do xogum Toyotomi Hideyoshi, que expresspu o desejo de vê-las. Rikyu então o convidou para um chá matinal em sua casa. No dia marcado, o xogum caminhou pelo jardim, mas não conseguiu ver nenhum sinal das campânulas. O solo fora nivelado e recoberto com pedriscos e areia fina. Raivoso e sombrio, o déspota entrou no aposento do chá, mas uma visão que o esperava ali lhe restaurou o humor por completo. No nicho tokonoma, num raro artesanato de bronze da Era Sung, havia uma única campânula – a rainha de todo o jardim!”

Comentários

Um comentário em ikebanas by Tamako Yoshimoto

  1. Iweth Kusano disse:

    Erika querida , おめでとう pela delicadeza do seu blog…o belo , o aroma , a cor …..tudo nos envolve !abs e bjus

Deixa um comentário