Inhotim, um lugar de hospitalidade

Duas coisas me surpreenderam quando estive em Inhotim em agosto de 2016: a integração entre arte e natureza e a cultura de hospitalidade das pessoas de Brumadinho. Imediatamente pensei quero fazer uma cerimônia do chá aqui.

Apenas pensei. E um mês depois, recebi um convite dos organizadores do MecaInhotim para realizar uma cerimônia do chá no museu, uma atividade aberta para o público que esteve neste grande festival de música que aconteceu em Inhotim mesmo, junto com outros workshops, palestras e várias experiências bacanas.

Na hora em que recebi este convite, meu pensamento com algumas pessoas que me acolheram e trouxeram paz no meu coração em uma semana de intensa de trabalho em agosto acompanhando uma equipe de televisão francesa: Seu Zé, o jardineiro que é responsável pela estufa de Inhotim, que cuida das plantas que chegam ou estão doentes e canta para elas; Neia, analista de projetos que trabalha nos projetos do Instituto Inhotim; Fubá, da área técnica que cuida da manutenção de obras como se fossem suas criações; e Cida, que também trabalha na manutenção do parque, uma das pessoas com mais fé que já conheci em toda minha vida.

Com eles, aprendi sobre hospitalidade. Neia, sua filha, Seu Zé e Cida foram os convidados principais das cerimônias do chá que fiz no Narcissus Garden, da Yayoi Kusama, e no Jardim Veredas, inspirado na obra de Guimarães Rosa, em que um banco do Hugo França se transformou no mizuya da cerimônia.

É curioso como tantos elementos fortes sustentam tantos outros encontros especiais:

* a Janaina Tahira, da Japonique, fez um kimono especialmente para a cerimônia do chá em Inhotim com um tecido que eu havia comprado em Paris; e a Augus, da Comas, que tem uma parceria com ela, estava lá no MecaInhotim também e fez o styling 🙂

* convidei a Viviane Okubo para estar comigo nos dois dias de evento, fazendo o registro das duas cerimônias. A Viviane pediu minha colaboração com informações sobre cerimônia do chá para seu tcc em 2012, e uma de suas propostas era uma sala de chá em Inhotim!

* conheci a Sofia, da Olive Cerâmica, e reencontrei a Luisa, que estava trabalhando com ela, ficamos hospedadas juntas, e a Sofia me deu de presente uma cerâmica em que foi feito o chá par ao Seu Zé;

* na entrada do Narcissus Garden, em busca de uma flor para a cerimônia, encontro uma única ipomeia roxa, também conhecida como morning glory, uma flor simbólica para os praticantes de cerimônia do chá, protagonistas de uma das passagens sobre arranjo floral do mestre Rikyu;

* encontrei com a Rafaelly, que nasceu em Inhotim, e foi a primeira funcionária que conheci ao pisar pela primeira vez em Inhotim. Ela não só apareceu no Veredas, como me contou que é apaixonada por chás;

* fui uma das convidadas do jantar especial do Mesa & Cadeira, projeto que super admiro criado pela Barbara Soalheiro, com quem trabalhei na Abril. O jantar magnífico foi criado em um dia com as PANCs (plantas alimentícias não convencionais) do jardim de Inhotim, missão liderada pelo Jorge Forager, que é um dos principais especialistas no assunto no Brasil e finalmente conheci pessoalmente, e pela Dani do Caminho do Chá, que criou algumas infusões para a ocasião;

* tive com o Shima antes e depois da cerimônia do chá no Veredas. Nossas performances eram praticamente no mesmo horário, em lugares diferentes, mas o “meu jardim” estava no caminho do Bean Drop, onde ele fez a “Festa doo Agora”. Antes da performance dele, o Shima tomou um chá, e depois, eu comi os salgadinhos e docinhos que sobraram da sua festa.

Veja algumas imagens dessa experiência linda que vivemos lá!

Deixa um comentário