chás detox

Faz seis meses que tenho prestado mais atenção no que como. Adotei um cardápio elaborado por um amigo terapeuta que segue princípios da medicina chinesa e, além de ter equilibrado o meu peso (embora não tenha sido esse o objetivo inicial), me sinto mais disposta fisicamente. Mais leve e ativa, com pensamento claro, e criativa.

Começar a usar mais ervas frescas na minha alimentação tem ampliado como eu enxergo e consumo chás. Chá não é remédio, mas é fato que ele pode auxiliar muito no equilíbrio e bem estar. Por isso decidi nesses dias pós-festas, deixar duas dicas de chás detox que experimentei hoje.

O primeiro deles é o Chamana verde, blend criado por Inés Berton, que é uma das pessoas que mais me inspirou quando comecei a escrever este blog (e inspira até hoje). A infusão tem menta, verbena, eucalipto e melão. Todos os ingredientes contribuem para o funcionamento do sistema digestivo. A menta tem ação estimulante da secreção estomacal e de movimentos peristálticos e também é digestiva, favorecendo a transformação dos alimentos no organismo, e o melão tem uma suave ação laxante (ingerir apenas melão durante dois dias seguidos é uma forma de fazer uma rápida desintoxicação).

O melão torna o chá muito delicioso, seu aroma e sabor predominam na infusão, mas sem eliminar a presença das outras ervas. O eucalipto traz um aroma gostoso para o chá e a verbena surge com o sabor bem mesclado ao do melão. O chá deixa um leve gosto mentolado no final, é altamente refrescante. Eu fiz o chá quente, mas pode ser servido gelado (não experimentei, mas deve ficar muito bom).

Gosto muito do trabalho da Inés e também do Guillermo, seu sócio. Já faz um tempo que eles renovaram as embalagens da linha Chamana e a deste blend traz uma combinação de palavras que são muito do verão.

No site Chamana, há sugestões de harmonizações para cada chá da linha. Para o detox, eles sugerem um mousse de chocolate com menta, scones, financiers, madeleines, muffin com gotas de chocolate e até cordeiro – ou seja, nada muito detox, mas está valendo!

* TEMPERATURA DA ÁGUA:  95 °C  * MEDIDA: 1 sachê por xícara * TEMPO DE INFUSÃO: 4 minutos *

*

*

*

O outro chá que tomei hoje foi o detox da Kusmi Tea, marca russa que existe em Paris desde 1917. Aqui no Brasil, ela é importada pela Casa Santa Luzia, que me presenteou com uma lata dessas dentro de uma cesta exclusiva que ganhei depois da minha palestra na loja no inverno de 2013. Eu gosto muito deste blend, que mistura chá mate, chá verde, limão e capim limão – tem a maior cara de receita de vó.

Quando li pela primeira vez o rótulo, fiquei com receio de que fosse dar um chá muito amargo. Mas o mate e o chá verde se mesclam bem (o sabor do mate é levemente mais forte que o do verde) e o gosto de limão aparece de um jeito sutil – combinado com o capim limão, deixa uma impressão cítrica-perfumada muito parecida ao do limão yuzu. Não há necessidade nenhuma de adoçar o chá (nem o da Kusmi, nem o Chamana). O segredo para este chá é o tempo de infusão. Tente não passar de 3 minutos para não correr o risco de tomar um chá amargo. O efeito detox se deve ao chá verde, que possui componentes antioxidantes e que ajudam as enzimas a transformar toxinas em moléculas solúveis, ao limão (desintoxicante) e à cafeína (presente tanto no chá verde como no mate), que ajuda na eliminação de gorduras.

* TEMPERATURA DA ÁGUA:  80-85 °C  * MEDIDA: 1 colher de chá cheia por xícara * TEMPO DE INFUSÃO: 3 minutos *

*

*

*

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: fico muito incomodada com a produtificação da saúde e do bem estar e por isso fui me informar sobre a funcionalidade dos componentes dos blends. Comprar e consumir são etapas finais de um processo de cuidado com o corpo e a saúde que nascem da consciência – e não as etapas iniciais, como se costuma vender (mensagens como “compre isso e fique bem”). Me parece fácil e simples chegar a algo parecido com o detox da Kusmi em casa , já o Chamana não, é um blend mais elaborado. Eu fiquei tão influenciada por ele, que resolvi tomar o Kusmi comendo melão fresco e geladinho! Não estou criticando nenhuma das marcas, mas acho importante lembrar que a viagem pelo mundo dos chás envolve uma série de sentidos. E a funcionalidade também pode criar sentidos diversos, muito além de um corpo sarado.

Quero ter um corpo saudável para saborear o mundo e ter sempre memórias frescas, como o cheiro do asfalto molhado da rue de Rosiers, em Paris, onde fica uma das lojas da Kusmi Tea e a lembrança de uma vitrine cheia de latas coloridas em um dia cinzento.

Deixa um comentário