chá para 9 pessoas: FAIL

Uma vez por mês recebemos um grupo de amigos para discutir cultura japonesa em casa. Nos conhecemos todos em um curso de extensão sobre Peculiaridades da Cultura Japonesa na USP. As aulas da Michiko Okano foram tão boas e o grupo pequeno teve tamanha afinidade que resolvemos continuar estudando em conjunto 2 vezes por mês. Morram de inveja porque estamos agora discutindo as animações do Miyazaki!

Hoje aconteceu o segundo encontro em casa. Foi no intervalo entre o primeiro e o segundo que passei a prestar mais atenção no preparo do chá, mas tudo foi completamente esquecido na primeira oportunidade que tive de honrar os amigos com as descobertas recentes (e olha que eles mais do que mereciam).

Os colegas chegam aos poucos (o Francisco, nascido em Portugal, é bem pontual, coisa de europeu – e como ele foi o primeiro, escolheu o chá), mas quase todos aparecem no mesmo horário. Preparei o chá como costumava fazer até um mês atrás: água fervente desemboca na chaleira que serve cerca de 3 ½ xícaras, enquanto os primeiros bebem, mais água vai sendo fervida, a chaleira espera, nova leva de 3 ½ xícaras, as pessoas vão se instalando no escritório e a discussão começa com quase todas as xícara cheias. O Saiki, namorado e também dono da casa, ficou injustamente sem chá (aqui vale o “primeiro para as visitas”), mas compartilhamos a mesma xícara. E quem chega mais tarde (no caso, Hideo e sua mãe) é contemplado com um chá diferente (ninguém sabia disso até então), que eu mesma escolho, uma surpresa.

A discussão é tão boa que o chá é mero detalhe. Pode ser péssimo confessar isso neste blog, mas é a pura verdade.

Acontece que hoje eu fiquei me sentindo muuuuitoooo culpada de não ter esperado a água esfriar para servir  o chá na temperatura adequada para ele ficar mais saboroso. É claro que ninguém se deu conta disso, nem mesmo eu. Como eu disse, o chá é um detalhe, mas depois que todo mundo foi embora eu me senti uma anfitriã horrorosa!

Caros colegas do grupo que estão lendo este post: por favor, não ousem pensar que incomodam. Pelo contrário, quanto mais gente, mais gostamos. Se há uma coisa que me deixa feliz é fazer chazinho para os amigos. De verdade. Tudo isso que estou escrevendo é pura paranoia de uma iniciante, que ainda não aprendeu a servir 9 pessoas ao mesmo tempo (o número máximo de pessoas que consegui servir decentemente até hoje foi 3 – contando comigo).

E hoje, eu descobri muitas coisas:

1. É bem mais fácil fazer um bom chá para uma pessoa, mas tomar um chá menos caprichado falando sobre Miyazaki e na companhia da galera é uma experiência absolutamente prazerosa!

2. Preciso de uma chaleira maior e de uma boa garrafa térmica. Assim, eu posso unir um chá bem mais gostoso à intessante discussão entre pessoas queridas.

3. Apesar de toda a minha empolgação e vontade de compartilhar sabores, ainda tenho um caminho infinito de descobertas pela frente.

O que posso fazer agora, além de pedir desculpas a todos os que estiveram presentes, é agradecer pela oportunidade dessas descobertas e de tantas outras que nascem dos nossos encontros.

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