lost in translation #matchaLatte ou “explorando a máquina de café do escritório”

Fazia tempo que eu estava obcecada por um matchaLatte. Primeiro porque estava muito quente – e eu tenho deliciosas lembranças de uma bebida do Cafe Doutor (Tokyo) que misturava uma espécie de sorvete de creme com chá verde – suspiro só de lembrar.  Daí eu começo a conviver com uma máquina de café (e carpete e elevadores, crachá e prédio, mas isso é apenas mero detalhe perto das pessoas com quem tenho trabalhado, da causa inspiradora da Childhood, das trocas que se estabelecem lá em diversos sentidos e a sensação de voltar para casa preenchida e, ao mesmo tempo, com muitos espaços a serem ocupados).

Mais do que conviver com uma máquina de café (+ café com leite, capuccino etc., e que me lembra a fase estudante em que uma moeda de 50 centavos de Euro e uma máquina dessas eram sinônimos de “esquentar a alma”), eu passei a alucinar nesta semana com o leite da máquina, em pó e doce (há a opção sem açúcar, mas eu adoro ele docinho), e que passou a ser o charme do meu chá preto da manhã.

Só que ontem, ainda (e felizmente) obcecada pelo matchaLatte, pensei: “e se no lugar do chá preto, eu acrescentasse uma colher de chá…”

“… ou melhor, duas colheres de chá de matcha…”

“… e misturasse a espuma à espuma…”


“… sim, um matchaLatte às nove da manhã!!!”

oK, confesso, não foi o melhor matcha latte que eu tomei na vida, mas fiquei orgulhosa de cavar esta cerimônia para iniciar os trabalhos de uma quinta-feira que tinha tudo para ser um dia cheio e fatigante e se transformou em energia inspiradora para este finzinho de semana. Acho que o espírito da cerimônia do chá também é este: abrir os sentidos para o que o mundo te oferece, trocar experiências com as pessoas e guardar este dia para sempre no “aquário das minhas memórias” (parafraseando um dos meus trechos preferidos de Haruki Murakami).

E hoje a temperatura da água não fez a mínima diferença (mesmo a que chega na térmica e tem abençoado as minhas manhãs), nem o copo de plástico, a pazinha de plástico, o leite em pó, o excesso de açúcar (da próxima vez eu vou apertar o botão “S/ AÇÚCAR”), nem a paisagem do excesso de prédios a minha frente.

Minha cerimônia me deixou preparada para a bateria de reuniões, troca e aprendizado.

*

Se você se inspirou a “abrir os trabalhos” com um chá no escritório, adote algumas dicas:

* o estilo free-style é sempre bem-vindo (vale para temperatura da água, quantidade de chá, utensílios – copos, xícaras e caneca), abandone o preciosismo;

* opte pelo chá de saquinho (é bem mais prático), mas se quiser arriscar um matchaLatte (para quem tem acesso fácil a leite espumoso), sua preparação não dá nenhum trabalho e não faz muita sujeira – a única coisa que você terá que fazer depois é lavar a colher (use a mesma para colocar o matchá e mexer a bebida);

* a medida para o matchaLatte de escritório é duas colheres bem rasas de chá para um copinho de cerca de 100ml de leite;

* se você não gosta de bebidas doce, escolha a opção “S/ AÇÚCAR” na máquina, sem a menor cerimônia;

* se você gosta da bebida doce – eu vou nas duas opções – pode deixar o leite docinho, mas MEXA MUITO BEM – além de deixar a bebida em uma espuma homogênea, você vai evitar que o começo seja muito doce e o final muito amargo (atenção com a parte mais funda que faz a borda da base no copinho – é lá que o matchá costuma se acumular);

* cave uma bolha no mundo para fazer isso – faço muito mais a linha 15 minutos de pausa do que um chá mal tomado. Eu particularmente não acho legal ficar  afundando o saquinho umas 30 vezes em direção ao fundo da xícara (se for freneticamente, nem pensar) e jorrar umas gotas de adoçante lá dentro. E não ligo se me chamarem de chata, Inés Berton, uma das 11 tea noses no mundo, acha uma falta de respeito quem aperta e enforca os saquinhos de chá com a colher.

(e por falar em Inés Berton, alguns de seus blends compõem a linha Chamana, com chás tão deliciosos – e em saquinho – que são capazes de transportar qualquer mortal para uma realidade paralela)

Comentários

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  1. Carline disse:

    Gostaria de solicitar ao Kikks´delivery um matchaLatte na sexta-feira! Providencio o leite.

    Por ora, Marzipan Tea nesta tarde fria de verão em Sampa. Beijos

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