Matéria sobre chás no UOL

Há uns dias fui entrevistada pela Lu Mastrorosa, jornalista muito simpática que escreve para o UOL Receitas, site editado pela profissionalíssima Clô Lima, que também faz bolos incríveis. É muito bom quando quem está do outro lado tem a escuta aberta e a conversa rende – falamos sobre chás, mas também sobre comida, mestrado, pesquisa, enfim, vida. Muita gente não sabe que eu trabalhei anos como jornalista. A gente raramente fazia entrevistas por e-mail, como acontece atualmente. Geralmente telefone e, muitas vezes, pessoalmente. E dá-lhe cafezinho, dá-lhe passar muito tempo fora da redação porque a conversa foi longa e depois correr com o trabalho porque tudo estava parado. Tinha jornalista que não gostava de sair da redação porque o dia rendia menos, mas eu adorava sair para entrevistar pessoalmente.

Bom, hoje, como dizem, ‘estou do outro lado do balcão’, virei fonte. É muito engraçado e prazeroso também poder compartilhar um pouco da minha trajetória com muitas pessoas.  Bom, o resultado está aí, na matéria do UOL Receitas que ensina fazer chá em casa, dicas simples, mas sempre muito úteis. Além de mim, foram entrevistadas a Carla Saueressig, proprietária da Loja do Chá, a loja de chá mais antiga de São Paulo, e a Renata Acácia, da Infusorina, que faz blends artesanais.

Sobre essa história de fazer blend em casa… Eu fazia muito isso no inverno passado quando morava em Lisboa, usando como base o Lisbon Breakfast, uma mistura de diversos chás pretos criado pelo Sebastian Figueiras, da Companhia Portugueza do Chá. Eu ia criando meus chás de manhã, enquanto esquentava marmita, preparava o café da manhã, ia sentindo o que misturar com chá preto, às vezes, aproveitava uma casca de limão que tinha usado no suco verde ou de uma laranja que deixava descascada para a sobremesa…

Até escrevi um post no Facebook sobre isso, quando este blog estava mais abandonado:

“Tenho o maior carinho por esse lugar. Um dia, voltando do mercado debaixo de um chuvisco fino, avisto um kimono em uma vitrine. Quando me dou conta, é uma loja de chás e utensílios, feita por gente que entende do assunto. A gente sente pela luz, pela decoração, pela escolha dos objetos, pelo cheiro dos chás, todo o carinho e dedicação que está por trás desse lugar.

Conheci o Sebastian, dono da loja, com quem tive breves trocas e a felicidade de, a convite da loja, fazer uma cerimônia do chá na rua do bairro onde morei, mais precisamente em uma pracinha onde duas ruas se encontram, a Poço dos Negros (essa que está na foto) e a Poiais de São Bento, onde morava.

Foi na vitrine dessa loja também que ficou por um tempo o cartaz de A Impermanência das Coisas, espetáculo em que atuei em Lisboa. Eu ficava feliz da vida de passar lá na frente e ver as pessoas esperando o eléctrico 28 em frente à loja com o cartaz na vitrine.

Nesse lugar também tive conversas com a Flor e a Isa, depois de jantarmos juntas. Íamos juntas esperar o último eléctrico da noite para as meninas subirem até Alfama e Graça. Ou cedo pela manhã com meu pai, o começo de algum passeio…

Tomei muito desse chá preto, puro ou como base de blends que eu mesmo preparava, com a lavanda da Marina, minha vizinha dona de uma loja de ervas, ou cardamomos, que ganhei de presente da Claire, um pouco de mel às vezes, um pingo de leite de soja. Saía com a térmica perfumando a mochila…

Tenho escrito pouco, quase nada no meu blog. E esse post é um daqueles que gostava muito de escrever. Fico muito contente quando encontro um bom chá.

A cerimônia do chá depende de qualidade e sabor, mas perde seu coração se não fala de encontros.”

PS: a foto que está na abertura é do Bistrô Ó-Chá, na Vila Madalena, um dos lugares mais acolhedores de São Paulo para tomar chá no inverno (coincidentemente tem uma ligação com Lisboa – a Mônica, proprietária, é portuguesa, mas está há anos aqui colocando todo o seu talento com chás e comida nesse cantinho delícia)

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