teaApp & tecnologia

Outro dia estava assistindo a uma palestra interessantíssima da Sherry Turkle, do MIT, no TED talks, e fiquei pensando sobre minha vida. Adoro como ela faz reflexões sobre como nos relacionamos com os objetos, a tecnologia, as memórias, a vida. Um dos meus livros de cabeceira é o Evocative Objects, em que ela conta a relação de várias pessoas com objetos que têm um significado especial na trajetória de cada um deles.

Escrever sobre chás é escrever sobre objetos, sobre utensílios, sobre xícaras, peneiras, bules. Tento tomar o maior cuidado para não entrar na loucura do consumo pelo consumo e ter um filtro claro na hora de escolher o que comprar, pois ter a desculpa do “escrevo sobre isso, preciso experimentar” abre um caminho sem fim se eu quisesse sair comprando tudo.

Tenho achado muito bacana as casas de chá em São Paulo serem cada vez mais lugares em que, além de comprar, também podemos sentar, beber, conversar, experimentar.

Podemos viver experiências.

O valor não está no preço ou na marca, mas está naquilo que faz sentido, e é isso que tento trazer para os posts deste blog.

Sem significado e sentimento, não há vida.

Então por que depois de todo este discurso, este post abriu com uma foto do celular? Talvez porque eu seja uma pessoa muito otimista, que acredita na boa relação que podemos criar com a tecnologia (mesmo me pegando muitas vezes carregando o iPhone para cima e para baixo). Gosto de uma visão “antiga” (anos 90), que considerava que a tecnologia pode nos ajudar a viver melhor. Ainda acredito isso.

*

Há uns meses descobri um aplicativo da Tea Forté que, além dos seus blends e dicas de preparo, traz receitas de drinks, e um timer dos mais simpáticos e práticos que já testei até hoje. Ele traz os tipos de chás e um cronômetro (que pode ser ajustado) dependendo do tipo de chá que você está preparando. Traz musiquinhas fofas e um bip discreto para quando o chá fica pronto.

Há que possa julgar contraditório o iPhone com a maneira como eu encaro o chá (que Inés Berton acredita ser um dos elementos de um “modo de vida mais acústico”), mas acho que podemos tentar ir além desta leitura. Eu gosto de juntar elementos que são separados por séculos, buscar releituras, reconectar, testar coisas em contextos diferentes.

Vivemos no presente, mas ele não existe sem ressonâncias da nossa história, do nosso passado, da tradição.

Nada precisa ser camisa de força, isso OU aquilo. Ainda bem.

O chá me permite não estar sozinha quando compartilho e estar conectada comigo mesma, mesmo quando tomo chá sozinha. Conversar com o outro e comigo.

O aplicativo me permite preparar o chá com minhas sobrinhas de uma forma lúdica, uma música, olhando para a tela esperando o chá mudar de cor, correndo para o bule para ver se a cor mudou mesmo.

Gosto de como Sherry Turkle encerra sua palestra com uma provocação: depende de nós, humanos, transformar a tecnologia na tecnologia dos nossos sonhos,  que faz a nossa vida ser aquela que amamos viver.

 

e agora preciso parar de escrever

para almoçar e tomar chuva

com um amigo de longa data,

de longas histórias,

de passado e de presente

Comentários

3 comentários em teaApp & tecnologia

  1. Carline disse:

    É sempre uma delícia passar por aqui e ler suas experiências com significado…

  2. Horácio Sobrinho disse:

    Assisti a sua palestra no auditório da Prosper Distribuidora, em Jardim América (RJ), onde eu trabalho e gostei muito da forma como foram explicados a origem e o uso do chá.

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